A Petrobras tem enfrentado dificuldades para suprir a demanda de trabalhadores qualificados em suas operações, especialmente por meio de empresas terceirizadas. A falta de profissionais especializados, como eletricistas, caldeireiros e soldadores, tem sido um desafio crescente, mesmo diante do cenário de aquecimento do mercado de trabalho no país. Para reverter esse quadro, a estatal aposta em ações de qualificação e no retorno de profissionais que migraram para ocupações informais, como motoristas de aplicativos.
Durante a apresentação do plano de investimentos no setor de refino e petroquímica, que prevê a aplicação de mais de R$ 33 bilhões no estado do Rio de Janeiro até 2029, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou a atual situação de pleno emprego vivida no Brasil. Segundo ela, a escassez de mão de obra é reflexo direto do aumento das oportunidades formais no país, o que exige soluções estratégicas para garantir o avanço dos projetos da companhia.
Com a expectativa de gerar cerca de 38 mil postos de trabalho diretos e indiretos, além de mais de 100 mil vagas por meio de atividades de manutenção, a Petrobras tem buscado parcerias com instituições como a Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) para qualificar profissionais. Um dos programas em destaque é o “Autonomia e Renda”, que visa capacitar beneficiários do Bolsa Família para inserção no mercado de trabalho formal.
A diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação, Renata Baruzzi, reforçou que muitas pessoas com qualificação técnica acabaram migrando para outras áreas por falta de oportunidades em anos anteriores, como é o caso de motoristas de aplicativo. A meta agora é trazer esses profissionais de volta ao setor industrial.
Além da qualificação, a Petrobras tem como diretriz exigir que empresas contratadas ofereçam benefícios como plano de saúde, promovendo a formalização e melhores condições de trabalho.
Os salários praticados nas obras e manutenções da Petrobras também são considerados atrativos. Segundo o diretor executivo de Processos Industriais e Produtos, William França, os rendimentos podem variar entre R$ 6 mil e mais de R$ 30 mil, a depender da função e da especialização do profissional. Um inspetor de solda, por exemplo, pode receber em torno de R$ 10 mil mensais, enquanto um planejador com domínio em softwares pode ultrapassar os R$ 25 mil.
Esse cenário reflete não só o desafio de recompor a força de trabalho, mas também a relevância das oportunidades geradas pelos investimentos da Petrobras para a economia e a empregabilidade no país.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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