O número de professores afastados das salas de aula por problemas relacionados à saúde mental continua crescendo e acende um sinal de alerta sobre as condições de trabalho na educação pública. Somente entre janeiro e setembro de 2025, mais de 1.700 docentes da rede estadual do Tocantins precisaram se afastar de suas funções por motivos psicológicos — número que já supera o total registrado em todo o ano anterior.
Os dados revelam um quadro preocupante: cerca de 22% dos profissionais da educação do estado tiveram algum tipo de licença por transtornos como ansiedade, depressão, síndrome de burnout e estresse emocional. Especialistas apontam que o cenário reflete o acúmulo de responsabilidades, a pressão por resultados, a falta de suporte institucional e, em muitos casos, situações de assédio e violência nas escolas.
Entre os fatores que mais contribuem para esse adoecimento estão a sobrecarga de trabalho, o excesso de tarefas administrativas, a carência de profissionais de apoio, o contato com realidades sociais desafiadoras e o uso intenso de plataformas digitais e relatórios burocráticos. Muitos educadores relatam também a sensação de desvalorização e isolamento, o que agrava o quadro emocional.
Além do impacto direto na vida dos professores, os afastamentos afetam a rotina das escolas e a qualidade do ensino, já que as instituições enfrentam dificuldades para substituir esses profissionais e manter a continuidade das aulas. A situação vem sendo debatida por sindicatos e especialistas, que pedem políticas públicas voltadas à saúde mental e à valorização docente, com oferta de acompanhamento psicológico, melhoria nas condições de trabalho e medidas de prevenção ao adoecimento.
O caso do Tocantins, no entanto, é apenas um retrato de uma realidade que se repete em diversas partes do Brasil. Pesquisas recentes apontam que o sofrimento psíquico entre professores é um fenômeno nacional, resultado de anos de desestruturação das políticas educacionais e de pouca atenção à saúde emocional dos educadores.
Mais do que números, esses afastamentos representam vidas impactadas por uma rotina cada vez mais exigente e emocionalmente desgastante, mostrando que cuidar de quem ensina é essencial para garantir um ensino público de qualidade.
Fonte: jalapaoonlineto.com.br


